26/07/2026 - Dr. Henrique Schaffhausser CRM151.893
Dor ao elevar o braço é um dos motivos mais frequentes de procura por um ortopedista especializado em ombro e cotovelo. Raramente tem uma única causa: reflete o funcionamento de um conjunto de estruturas — tendões, bursa, cápsula articular e superfícies ósseas — que precisam trabalhar em sincronia durante o movimento.
Identificar qual estrutura está envolvida é o primeiro passo para definir a conduta. A seguir, as causas mais relevantes, os sinais de alerta e quando buscar avaliação especializada.
Principais causas:
O manguito rotador — conjunto de quatro tendões responsável pela estabilização dinâmica do ombro — é uma das causas mais prevalentes de dor, especialmente após os 40 anos. O quadro representa um espectro: desde as tendinopatias (alteração degenerativa do tendão, geralmente por sobrecarga repetitiva ou desgaste progressivo) e pode evoluir para ruptura parcial ou transfixante.
Clinicamente, há dor à elevação ativa, podendo vir acompanhado de déficit de força nas rupturas mais extensas. É especialmente comum em atletas de esportes overhead, como voleibol e natação, e tende a piorar com a atividade sem manejo adequado de carga.
Ocorre pela compressão mecânica das estruturas do espaço subacromial — o tendão do supraespinal e a bursa subacromial — contra o arco coracoacromial. Quando a bursa inflama nesse processo (bursite subacromial), a dor se soma e costuma se localizar na região anterolateral do ombro.
Menos frequente do que a artrose de joelho ou quadril, o desgaste da cartilagem da articulação glenoumeral tem fisiopatologia distinta das causas anteriores: não é um problema tendíneo ou de espaço subacromial, mas uma degeneração progressiva da superfície articular em si.
Pode ser primária, associada ao envelhecimento natural da cartilagem, ou secundária a fatores como trauma articular prévio, instabilidade recorrente do ombro, cirurgias anteriores ou, em casos mais avançados, rupturas extensas e antigas do manguito rotador não tratadas (quadro conhecido como artropatia do manguito rotador).
O padrão clínico também difere: em vez da dor predominantemente mecânica e relacionada ao arco de movimento, característica das causas anteriores, a artrose costuma cursar com dor mais constante — inclusive em repouso —, rigidez progressiva e perda mensurável de amplitude de movimento em múltiplos planos, não apenas na elevação.
Dor que persiste além de uma a duas semanas, limita atividades do dia a dia ou vem acompanhada de algum sinal de alerta justifica avaliação com ortopedista especialista em ombro e cotovelo.
O exame físico direcionado, complementado por exames de imagem, permite caracterizar a estrutura acometida e definir a conduta — reabilitação, ajuste de carga, medicações, infiltração guiada ou, em casos selecionados, cirurgia.
A dor ao levantar o braço tem múltiplas causas possíveis e apresentações que se sobrepõem. Um diagnóstico bem conduzido é o que diferencia um tratamento direcionado de uma abordagem genérica — e costuma abreviar o tempo até a melhora funcional.
Se você convive com esse tipo de dor, agende uma avaliação para identificar a causa específica do seu quadro e discutirmos qual o melhor tratamento para você.